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As primeiras etapas do avanço através dos estados bálticos foi relativamente fácil. Aí os russos não podiam contar nem com fortes defesas nem com uma população amiga, e a vitória alemã em Minsk teria deixado as forças russas na Lituânia numa situação perigosamente avançada. Por sua parte os invasores tinham a vantagem de numerosas boas estradas de bitola igual a de suas ferrovias. Isso permitiu-lhes efetuar uma rápida conquista da Lituânia e da Letônia.
O avanço principal procedia da Prússia Oriental, ao longo da estrada de ferro para Kovno e Vilna. A resistência das forças blindadas russas em Kovno foi dominada depois de dois dias de batalha. Enquanto o avanço através de Vilna continuava para leste além de Minsk, uma força que partira de Kovno fazia pressão para o norte através de Shavli, na direção do golfo de Riga. E a 1o de julho foi anunciada a captura de Riga. A conquista da Lituânia e da Letônia do sul até o Dvina foi completada, e as forças alemães progrediam para nordeste, ao longo da estrada de Leningrado. A 9 de julho uma coluna que atravessou o Dvina em Jakobstadt capturara Ostrov depois de vários dias de encarniçada luta e alcançava as principais defesas soviéticas nas vias de acesso para Leningrado.
Essa era a primeira etapa da invasão - a batalha das fronteiras durante a qual os alemães alcançaram o Berezina, no centro, bem como as principais posições defensivas na Ucrânia ocidental. A segunda fase, em que se verificaram avanços consideráveis em ambas as regiões, foi também caracterizada por um duplo avanço contra Leningrado pelo norte e pelo sul.
A ofensiva ao longo da fronteira finlandesa fizera, até então, poucos progressos. No extremo norte foi detido um ataque contra Murmansk. Uma progressão contra Kandalaksha alcançou Salla, e uma coluna avançada conseguiu cortar temporariamente a ferrovia de Murmansk, sendo depois obrigada a retroceder. Os ataques de ambos os lados do istmo da Carélia na direção de Viipuri e Kaekisalmi tiveram poucos resultados substanciais, e a base naval russa em Hangoe resistiu contra todos os assaltos. A ocupação das ilhas de Aaland foi uma vitória para a segurança alemã do Báltico, mas foi de pouca influência para as operações terrestres.
A 10 de julho foi lançado um novo ataque contra o istmo de Carélia, e ao mesmo tempo avançava-se para a região ao norte e a leste do lago Ladoga. Essa última coluna ameaçava em breve a zona entre os lagos Ladoga e Onega, e em Petrozavodsk punha em perigo a ferrovia de Murmansk. Não houve porém conseqüências imediatas dessa tentativa, nem tampouco do avanço mais para oeste. Foi somente a 15 de agosto que Sortavalla, na extremidade do lago Ladoga, foi capturada, e mesmo assim os finlandeses não puderam irromper além de Kaekisalmi. Mas a crescente pressão procedente do sul teve suas conseqüências. A 30 de agosto os finlandeses anunciaram a captura de Viipuri; e a 3 de setembro afirmaram que suãs tropas haviam alcançado todos os pontos de suas antigas fronteiras de 1939.
Havia indícios de que esse êxito fôra devido em parte a considerações de ordem política. Durante a última parte de agosto houve persistentes rumores de que estava em perspectiva uma paz russo-finlandesa. Os finlandeses eram moderados em seu ódio à Rússia, e ainda mais cautelosos em sua amizade com a Alemanha. Queriam recuperar o que haviam perdido na guerra anterior, mas se mostravam pouco entusiasmados com o projetado ataque a Leningrado. Os líderes finlandeses reconheceram francamente ser acidental a sua união com a Alemanha, e que a Finlândia agiria durante a guerra de acordo com seus próprios interesses nacionais. A retirada de 15 divisões russas da frente da Carélia, o que preparou o caminho para um avanço até as antigas fronteiras, talvez fosse efetuada com o objetivo de encorajar esse sentimento. Mas o Marechal Mannerheim estava resolvido a cumprir um programa destinado a criar uma Carélia Maior, e que acarretava extensas anexações às custas da Rússia; entrementes a Alemanha continuava advertindo seus associados contra a idéia de que os mesmos pudessem abandonar a santa cruzada contra o perigo vermelho. Quando a 7 de setembro os finlandeses avançaram a leste do lago Ladoga, para o rio Svir, cortando o canal de ligação entre o Báltico e o mar Branco que constituía uma das últimas comunicações de Leningrado, mostraram estar ainda muito vivo o perigo vindo do norte.
Entrementes os alemães avançavam pelo sul, de modo vagaroso mas incessante. Seu esforço principal se fazia ao longo da ferrovia que, a leste do lago Peipus, atravessa Pskov. Tratava-se de uma região em que eram poucas as perspectivas de uma decisão final rápida. Forças mecanizadas romperam as linhas soviéticas a 16 de julho, alcançando Novgorod a Kingissep, mas as tropas de infantaria de apoio não conseguiram segui-las com êxito. O terreno pantanoso ao sul do lago Peipus formava uma zona em que as forças dificilmente podiam avançar com rapidez, e as fortificações que barravam o caminho para Leningrado eram das mais poderosas de toda a Rússia. A população de Leningrado havia sido convocada no fim de junho para trabalhos especiais nas defesas imediatas da cidade, e os alemães poderiam esperar uma forte resistência à medida que se aproximavam.
Assim, a progressão assumiu o caráter de uma série de golpes rápidos e violentos, ante os quais os russos cediam um pouco de terreno após tenaz resistência. Os alemães, avançando de Ostrov para a importante junção ferroviária de Pskov, empurraram os defensores para leste, na direção de Porkhov durante duas semanas de encarniçados combates, e através da brecha assim aberta, os nazistas forçaram a passagem entre os lagos Peipus e Ilmen. Ao mesmo tempo outras tropas avançavam através da Estônia numa tentativa para contornar a extremidade norte do lago Peipus e unir-se com outra coluna que avançava paralelamente para leste. Na última parte de julho o avanço do leste alcançara a estreita faixa de terra ao norte do lago, mas foi detida no rio Luga, e obrigada a recuar em conseqüência dos contra-ataques russos. No começo de agosto, entretanto, a pressão foi reiniciada; e ao mesmo tempo eram feitos vigorosos esforços para acabar com a resistência russa na Estônia. Uma tentativa de desembarque nas costas do Báltico foi esmagada a 12 de julho, e outras tentativas no fim do mesmo mês também não obtiveram êxito. Entretanto, contra as forças russas isoladas, o ataque por terra obteve resultados positivos. O encarniçamento da resistência era indicado pelo fato de que, apesar dos alemães terem anunciado a captura da junção ferroviária de Tapa a 15 de agosto, foi somente a 28 desse mês que o porto de Tallinn, o último ponto de apoio importante que os russos possuíam nos estados bálticos, caiu em poder dos nazistas.
A esse tempo também as operações em torno do lago Peipus haviam chegado a um término feliz. Embora o avanço ao longo do Luga se desenvolvesse pouco mais do que nas operações anteriores, o caminho foi por fim aberto para as forças alemães. A 18 de agosto as duas colunas conseguiram unir-se, e, lançando os russos para fora da cidade de Kingissep, avançaram para leste, pondo em iminente perigo a cidade de Leningrado.
Uma série de ataques a leste do lago Peipus resultou em novos avanços. A frente estendia-se para o sul até Polotsk, cidade que, por sua vez, constituía a base norte do saliente criado na frente central, além de Smolensk. Uma ruptura nesse ponto chave alargaria a base de operações para operações ofensivas no norte e no centro, bem como traria nova ameaça às comunicações russas entre esses dois setores.
Foi somente após duas semanas de violentos ataques que os alemães, a 17 de julho, conseguiram capturar Polotsk. Mesmo então não puderam avançar ainda mais para leste. Mas conseguiram intrometer uma cunha a nordeste de Nvel; e embora não conseguissem durante algum tempo aumentá-la, ficou demonstrado que a mesma constituía a primeira de uma série de penetrações semelhantes, que atravessaram uma das principais ferrovias para Leningrado. A 5 de agosto outra cunha foi introduzida mais ao norte, alcançando Kholm. Cinco dias mais tarde as forças que se encontravam ao norte da região Pskov-Porkhov avançaram para Solsti, e daí progrediram ao longo da estrada de ferro para Staraya Russa. A frente sul do ataque a Leningrado foi subitamente alargada e a linha direta entre Leningrado e Moscou passou a ser objeto de um perigo imediato. A defesa foi obrigada a recuar das vizinhanças do lago Peipus a fim de enfrentar o novo perigo que surgia na região do lago Ilmen.
O impulso alemão foi novamente detido durante uma semana de encarniçadas lutas. Mas a contínua pressão das forças convergentes forçou os defensores a recuarem em três direções. A 21 de agosto os nazistas anunciaram a captura de Narva e Kingissep a oeste de Leningrado, e de Novgorod, sobre o lago Ilmen, ao sul. Ao mesmo tempo os finlandeses começavam a fazer progressos em sua ofensiva no istmo de Carélia. As comunicações da cidade permaneciam abertas para oeste e para sudoeste, mas essas eram ameaçadas pelo avanço partido de Novgorod. Enquanto os finlandeses continuavam progredindo para capturar Viipuri e as defesas ocidentais do rio Luga eram empurradas vagarosamente para trás, os alemães em Novgorod avançaram a montante do rio Volkhov a fim de cercar Leningrado pelo leste. A coluna de tanques da vanguarda alcançou o lago Ladoga nos primeiros dias de setembro, e a 6 do mesmo mês chegou até os arredores de Leningrado. Dois dias mais tarde os alemães anunciaram haver capturado Schluesselburg, na extremidade sul do lago Ladoga, acrescentando que suas forças motorizadas haviam chegado ao Neva. Embora mais ao sul mantivessem os russos em seu poder as alturas de Valdai, a leste do lago Ilmen, foram incapazes de impedir que se fechasse o anel, ou quebrá-lo antes que o mesmo se consolidasse. Leningrado, que já se encontrava sob o fogo dos canhões inimigos, enfrentava agora um sítio que se estreitava cada vez mais.
Esse fato teve grande importância na situação do Báltico. Ao norte e ao sul os russos estavam sendo empurrados dos pontos que ainda ocupavam na costa. Odessa não tinha grande importância, considerando que os russos ainda estavam de posse da Criméia. Mas Leningrado, com sua base naval de Kronstadt, encontrava-se numa situação mais crítica. Essa base permitira aos russos infligir consideráveis danos aos comboios alemães; e ao mesmo tempo as posições que os russos haviam tomado à Finlândia e à Estônia tinham até então auxiliado a proteger Leningrado de um ataque por mar. Agora, entretanto, tinham perdido a maioria dessas posições, com exceção de Hangoe e das ilhas do golfo de Riga, sendo que essas últimas eram gradualmente dominadas pelos alemães apesar da forte resistência soviética. A posse de Leningrado significaria a segurança dos alemães no Báltico. A captura da cidade facilitaria as comunicações terrestres dos nazistas e daria uma nova base para o ataque contra Moscou. Sob todos os pontos de vista, o objetivo bem valia um grande esforço, para qualquer dos dois lados.
Para enfrentar o perigo, a cidade inteira foi mobilizada no sentido de lutar até o fim. Em dramática proclamação emitida a 21 de agosto, Voroshilov apelou para todos os homens válidos para tomar parte na defesa. "Criemos novas unidades do exército do povo para preparar a defesa da cidade com armas na mão. Levantemo-nos como um só homem em defesa de nossa cidade, nossos lares, nossas famílias, nossa honra e nossa liberdade." A contra-proclamação nazista, ameaçando a cidade com a destruição completa e indiscriminada serviu apenas para estimular o entusiasmo da reação popular. Leningrado se preparava para seguir o exemplo de Madrid, resistindo até o último extremo. "Isto é um crime" - gritava a imprensa alemã "que em muito excede à inescrupulosa defesa de Varsóvia".
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