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Uma história de Natal - Ardenas 1944 PDF Imprimir E-mail
Por Sérgio Jockymann - Jornal NH   
27 de December de 2009

A melhor história de Natal que eu conheço me foi contada por meu vizinho Alfredo Wernick, um alemãozinho duro que só amolecia na véspera de Natal, quando tomava alguns schnaps e saía de casa, cantando Tannembaum abraçando seus espantados vizinhos. No dia seguinte, ele voltava a fechar a cara e passava pela calçada de cabeça baixa sem cumprimentar ninguém.

O Wernick tinha medo de seu próprio coração que era mole e doce. Pois no Natal de 1944 o Wernick estava nas Ardenas, o último e desesperado ataque alemão para deter as tropas aliadas. Nevava, fazia um frio de rachar e o Wernick caminhava pelo bosque esperando levar um tiro a qualquer momento. A batalha das Ardenas foi a última confusão da Segunda Guerra Mundial, um inesperado ataque de tanques levou as tropas alemãs para dentro das tropas americanas, e durante três dias, todo mundo atirou em todo mundo, sem saber ao certo quem estava do outro lado.

O Wernick gostava do Natal e vinha justamente pensando na estupidez da vida. Lá estava ele cheio do espírito de Natal e ao invés de abraçar seu semelhante, tinha que atirar nele. O Wernick cruzou uma árvore e paralisou, detido pelo som de um fuzil sendo engatilhado. Ele ergueu a cabeça e moveu os olhos. A dois metros dele, estava um soldado americano com um fuzil na mão. Os dois se olharam e não se moveram, cada um esperando que o outro tomasse a iniciativa. O Wernick, que estava com o fuzil abaixado, já estava se dando como morto, quando, para sua surpresa, o americano disse em alemão:

- "Feliz Natal, meu irmão"

O Wernick foi inundado por uma imensa alegria e retribuiu os votos:

- "Feliz Natal para você também, meu irmão americano"

O americano acenou para ele e Wernick bateu continência, depois do que cada um deles voltou para o bosque. Wernick nunca duvidou que tinha sido agraciado com um milagre, e naquela noite mesmo, disse ao capelão do seu regimento que não dispararia mais contra ninguém. Por sorte, os americanos contra atacaram e Wernick foi feito prisioneiro no dia seguinte.

Trinta anos depois, já no Brasil, assistindo a um programa da CBS sobre o Natal, ouviu assombrado um americano contar o seu milagre. Com um milhão de americanos lutando na Europa, Wernick encontrou naquela noite um americano de Milwauke, filho de alemães e Luterano como ele. Deve ter sido uma noite de Natal cheia de milagres. E o maior deles estava guardado no coração de dois soldados.
 
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