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A Luta no Dnieper PDF Imprimir E-mail
Por Desconhecido   
30 de May de 2008


Enquanto no norte e no sul se verificavam tais progressos, travava-se no centro uma luta encarniçada e indecisa. Era um embate em que os russos procuravam tomar a iniciativa aos alemães, e em que estes procuravam retê-la em face dos persistentes ataques soviéticos. A batalha desenvolvia-se com sorte vária, fazendo oscilar a linha de frente. Ambos os lados enviavam unidades mecanizadas que penetravam profundamente no território precariamente mantido pelo adversário, e a ameaça que tais penetrações significavam para o flanco do inimigo tornava por vezes difícil afirmar quem estava operando um cerco e quem estava sendo cercado. Mas, em conseqüência da própria natureza da guerra de movimento, as zonas estáticas eram temporárias, e se uma posição servia num dia para deter o inimigo, no outro já era empregada como base para um ataque.

Os alemães faziam poucos progressos em seu avanço direto contra Moscou. Afirmavam ter cercado consideráveis forças russas a leste de Smolensk, e suas penetrações para leste eram uma ameaça constante. Entretanto, mesmo as pontas de lança não conseguiram avançar além de Vyasma ou manter os pontos mais avançados da penetração.

Ao mesmo tempo eram feitos esforços persistentes para alargar e aprofundar a zona do saliente de Smolensk. Essas tentativas tiveram pouco êxito no flanco norte. Apesar da série de cunhas introduzidas nas defesas russas entre Polotsk e o lago Ilmen, incluindo a ponta de lança que alcançou Velikiye Luki na última parte de agosto, a estrada para Moscou permanecia fechada. A zona entre Smolensk e Vitebsk continuava sendo uma sangrenta terra de ninguém em que ataques tenazes e encarniçados de ambos os lados não conseguiam mudar consideravelmente as posições.

Ao sul, entretanto, os esforços alemães tiveram mais êxito. Dentro da curva do Dnieper superior, que vai de Smolensk até a confluência com o Berezina, os nazistas conseguiram apoderar-se de uma posição de partida, e aumentá-la. Nos primeiros dias de agosto um avanço a sudeste de Smolensk resultou no cerco de uma força russa em torno de Roslavl. Uma operação destinada a transformá-lo num envolvimento mais amplo por meio de um ataque na direção de Briansk não tivera êxito, e os alemães foram repelidos por uma série de contra-ataques. Mas se tal projeto era por demais audacioso, havia outras vantagens que deviam finalmente preparar o caminho para esforços semelhantes mais para o oeste.

Essas operações centralizavam-se principalmente em torno da região de Gomel, abaixo do extremo do flanco esquerdo das forças alemãs na frente central. Mais ao sul encontravam-se os pântanos de Pripet, que continuavam impedindo essas forças de fazerem junção com os exércitos que avançavam na Ucrânia. Mas se o Dnieper pudesse ser atravessado e alcançada Gomel, a cidade seria uma base de onde os nazistas poderiam lançar-se ao ataque em várias direções. Um movimento na direção de Roslavl isolaria os russos no interior da curva superior do Dnieper. Poderiam os alemães avançar para o nordeste na direção de Moscou, pelo caminho de Briansk. Podiam também avançar para o sul, em direção ao Desna, e daí ameaçar Kiev de isolamento e pôr em perigo a Ucrânia oriental. E se os dois exércitos pudessem atravessar o Dnieper, deixariam para trás a barreira de Pripet, e unir-se-iam mais a leste.

O primeiro ataque na direção de Gomel foi lançado logo depois de ter sido atingido o Dnieper na frente central. Os alemães fizeram intensos esforços para avançar partindo das proximidades de Bobruisk e Rogachev, atacando violentamente com tanques e bombardeiros de mergulho. Mas o ataque foi detido sem obter vantagens importantes. E apesar dos nazistas terem introduzido uma cunha mais ao norte, em torno de Mohilev, e noticiado a destruição de duas divisões russas, aí também não foram capazes de efetuar uma verdadeira ruptura.

A 10 de agosto, entretanto, foi iniciado um novo movimento, o qual alcançou seu objetivo imediato. Enquanto os exércitos do sul atravessavam a Ucrânia ocidental, foi iniciado um complexo conjunto de ataques através do curso médio do Dnieper. O rio foi atravessado nas vizinhanças de Rogachev, e dessa zona, movimentaram-se unidades nazistas, apoiadas por outras que irromperam entre Mohilev e Roslavl, para unir-se com as tropas que atacavam diretamente Gomel. A cidade caiu a 19 de agosto, e Berlim anunciou que 25 divisões russas haviam sido esmagadas durante a operação. Fizeram os alemães esforços para a realização de um envolvimento ainda mais vasto, lançando-se para leste a fim de unir-se com as unidades que se encontravam na zona de Roslavl. Mas uma vigorosa contra-ofensiva russa esmagou a tentativa e impediu outro movimento de cerco a leste de Kiev. Uma vez mais ficava momentaneamente detido o avanço alemão.

Todo esse tempo os russos tinham estado dirigindo seus maiores esforços contra a ponta de lança alemã nas vizinhanças de Smolensk. Sua bem sucedida resistência aos ataques nazistas - afirmaram os soviéticos ter repelido 42 ataques na última quinzena de julho - foi acompanhada por persistentes esforços contra os flancos alemães. A 23 de julho os nazistas - que na semana anterior afirmaram, esperançados, estarem exaustas as reservas tussas - reconheciam a existência de ataques "extremamente ferozes" levados a cabo por tropas russas descançadas. Mas apesar de terem detido o inimigo na região de Smolensk, os soviéticos não estavam bastante fortes para obter mais que vantagens locais, e em agosto os alemães retomaram a iniciativa não somente conquistando a Ucrânia e avançando sobre Leningrado, como também avançando até Roslavl e Gomel.

Em meados de agosto, tendo completado sua mobilização e dispondo de novas forças, os russos reiniciaram ativamente seus esforços. O principal objetivo era ainda a eliminação do saliente de Smolensk. Ataques alemães em outras zonas levaram, entretanto, a uma considerável ampliação no âmbito das operações. No flanco direito foi feita uma tentativa para aliviar a pressão sobre Leningrado. No flanco esquerdo o esforço destinava-se a eliminar a ponta de lança alemã em Gomel.

Essas operações obtiveram certo êxito inicial. Somente o esforço realizado na frente central, entretanto, obteve um sucesso que pudesse ser considerado permanente. A 8 de setembro, após uma batalha de 26 dias, a ponta de lança russa bateu uma força de cerca de oito divisões alemães nas vizinhanças de Yelnya e avançou, atravessando o Dnieper a meio caminho entre Smolensk e Vyasma. Era essa a primeira vez desde o início da guerra, que as forças de Hitler eram obrigadas a bater em retirada num encontro de grandes proporções. Essa operação abriu a possibilidade não só de recapturar Smolensk, mas também de ameaçar as posições alemães na frente central.

Tais perspectivas, entretanto, foram muito reduzidas pelos acontecimentos nos outros setores da frente. Os alemães já haviam mostrado sua capacidade para manter em seu poder, apesar dos contra-ataques, as grandes vantagens obtidas. Mais de uma vez suas forças avançadas haviam sido detidas ou isoladas, e a infantaria de apoio fôra repelida em seus esforços no sentido de avançar através da brecha aberta pelos tanques. Mas onde quer que as posições se consolidassem, os alemães se mantinham firmes. Podiam retroceder ante um ataque resoluto até que o assalto tivesse perdido sua força. Mas sabiam aparar e amortecer o golpe sem permitir que ele penetrasse ao ponto de transformar-se numa verdadeira ruptura.

Mesmo a retirada alemã em Smolensk parecia ter este caráter; e nas outras frentes, as operações continuavam a desenrolar-se de modo favorável á Wehrmacht. Os ataques russos ao sul do lago Ilmen, que continuaram simultaneamente com o movimento na direção de Smolensk, não conseguiram quebrar o anel de forças em torno de Leningrado. Ao invés, os alemães anunciaram a 11 de setembro haver reconquistado a iniciativa e repelido as forças soviéticas na direção das elevações de Valdai e das cabeceiras do Volga. E na extremidade sul da linha, as operações em torno de Gomel, depois de terem obtido êxitos iniciais, foram esmagadas por um novo avanço para o interior da Ucrânia oriental.

Após repelir os alemães a leste de Gomel, os russos desfecharam uma série de ataques, obrigando os alemães a leste do Dnieper a recuarem na direção daquele curso d'água. No começo de setembro, os russos lançaram uma ponta de lança na direção de Rogachev, enquanto outra se aproximava de Gomel pelo sul. Uma força que abrira caminho através do Dnieper, nas proximidades da embocadura do Berezina, pareceu por momentos ameaçar Bobruisk. Mas sua presença atrás de Gomel, juntamente com a de outras forças que realizavam um movimento de cerco na região do Pripet, parecia colocar a própria cidade de Gomel em situação precária.

Mais uma vez, porém, os alemães se concentravam para novas operações ofensivas, mesmo em face dos avanços soviéticos. Gomel, cuja segurança parecia estar ameaçada, era em realidade uma das bases para um movimento coordenado contra Kiev e a Ucrânia oriental.

O ataque setentrional desenvolvia-se por meio de duas pontas de lança principais. A leste, uma força avançando da zona de Roslavl na direção de Briansk foi batida na região do rio Desna. Um esforço para alcançar Konotop partindo de Gomel sofreu um revés semelhante ao longo do Desna inferior, e dm movimento lateral procedente de Gomel e destinado a unir-se com as forças que avançavam para Briansk foi, segundo os russos, repelido com perdas consideráveis. Mais para oeste, porém, a cidade de Chernigov caiu em poder dos alemães a 12 de setembro, após seis dias de encarniçada luta. Foi forçada a linha do Desna, desenvolvendo-se então o braço norte de um movimento de pinças contra Kiev.

O braço do sul, a esse tempo, encontrava-se em condições de efetuar a junção. Os obstinados esforços alemães para estabelecer cabeças de ponte na margem oriental do baixo Dnieper tinham alcançado então consideráveis êxitos, e uma das cabeças de ponte mais importantes foi conquistada nas imediações de Kremenchug. Depois de encarniçada luta os russos viram-se obrigados a retirar-se da cidade a 14 de setembro. Os nazistas avançaram a fim de unir-se com a força que avançava de Gomel, e completar assim o isolamento de Kiev. A 19 de setembro os alemães abriram caminho para a antiga capital da Ucrânia; e enquanto esmagavam a última e dura resistência dos defensores, o anel se apertava em torno de uma força estimada pelos nazistas em quatro exércitos russos.

O perigo que se abatia sobre a Ucrânia oriental era agora imediato. As forças alemães procedentes da região de Kremenchug foram lançadas para leste, e a 19 de setembro estavam em Poltava, a apenas 130 km do importantíssimo centro industrial de Kharkov. Simultaneamente outra coluna mais ao sul avançava combatendo na direção do mar de Azov e da foz do Don. Foram estabelecidas numerosas cabeças de ponte no curso inferior do Dnieper enfrentando o fogo da artilharia russa na margem oriental do rio, assim como dos pequenos navios fluviais; essas cabeças de ponte mantiveram-se apesar "dos fortes e encarniçados ataques inimigos". Essas posições separadas consolidaram-se gradualmente, transformando-se numa única posição fortificada na região de Zaporozhe e Dniepropetrovsk. Agora uma coluna mecanizada avançou rapidamente dessa região na direção da bacia do Donetz, enquanto mais ao sul uma força que efetuara a travessia do Dnieper acima de Kherson na cidade de Berislav se desviou para a costa a fim de alcançar o mar de Azov e cortar a península da Criméia.

Mais uma vez a vitória alemã, apesar de trazer para os russos conseqüências importantes, não conseguiu alcançar seu objetivo final. As defesas soviéticas, embora gravemente feridas, não haviam absolutamente sido destroçadas. As forças cercadas a leste de Kiev combateram durante muito tempo e com tenacidade Budienny reorganizou suas defesas nas vizinhanças de Poltava e não só continuou a barrar o caminho para Kharkov, como também repeliu os nazistas por meio de violentos contra-ataques. As forças que isolaram a Criméia do continente, no istmo de Perekop, não obtiveram êxitos imediatos em suas tentativas de penetrar na península, quer por meio de ataques frontais, quer pelo lançamento de pára-quedistas. Odessa e Leningrado continuavam a resistir; e desde o lago Ilmen até Briansk os exércitos da frente central desfechavam contra-ataques locais. Uma vez mais os nazistas, incapazes de levar seus ataques a uma decisão final, tiveram de aceitar uma pausa a fim de reunir suas forças para a realização de novo esforço.

Ainda assim os alemães retinham a iniciativa, e era evidente que mantinham seu poder ofensivo. Haviam privado os russos de valiosas fontes de abastecimentos. Apesar de caírem no norte, a fins de setembro, as primeiras neves, havia mesmo assim razoáveis perspectivas de várias semanas de condições meteorológicas favoráveis à campanha. Mas apesar de tudo isso, a resistência russa era de molde a dar boas esperanças à defesa. Tornava-se cada vez mais provável que, afinal de contas, a Alemanha ver-se-ia envolvida numa campanha de inverno, e que, pela primavera, o poderio combinado da Inglaterra e dos Estados Unidos alcançasse um nível capaz de afetar a situação tanto na frente oriental como no leste. Entrementes, uma coisa era certa: a Inglaterra não seria invadida no outono. E sem que tal invasão se realizasse, Hitler não teria esperança de cumprir sua promessa de uma vitória em 1941.

Última Atualização ( 30 de May de 2008 )
 
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